Reeleito, Lula diz que o Brasil precisa criar sua própria IA em vez de depender de modelos chineses ou americanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito em 25 de outubro para o quarto mandato, colocou a inteligência artificial nacional entre as prioridades de sua agenda, segundo reportagens da CNN Brasil e do Valor Econômico. Em discurso a apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, após o resultado, Lula disse que o país vai ensinar mais matemática e engenharia porque não quer ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana e quer criar uma brasileira.
O programa de governo para 2027 a 2030 detalha o caminho. Ele promete desenvolver modelos de linguagem em português e em outras línguas faladas no país, apoiados por uma plataforma nacional de dados para treinamento e avaliação. Também defende a expansão dos data centers, mas com salvaguardas socioambientais obrigatórias, metas de eficiência energética, uso progressivo de 100% de energia renovável e avaliação dos impactos sobre o sistema elétrico, os recursos hídricos e as populações locais. Os operadores ainda teriam de oferecer contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado interno.
Boa parte disso se apoia no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, o PBIA, que vai de 2024 a 2028 com orçamento de R$ 23 bilhões. Celso Camilo, professor da Universidade Federal de Goiás, disse à CNN Brasil que o programa não traz propostas novas em relação ao plano em vigor e que o desafio é a velocidade. Em resumo: menos plano e mais execução acelerada.
O que isso muda na prática
Já existem modelos brasileiros como ponto de partida, como quando um centro da UFG lançou o Lumi, modelo gratuito em português que empresas podem treinar com seus próprios dados. Na infraestrutura, o próximo governo herda os incentivos fiscais aprovados quando Lula sancionou o Redata, com cinco anos de benefícios para data centers, aos quais as novas salvaguardas se somariam.
O programa também promete regulamentar as plataformas digitais, mas sem detalhes. O tema ganhou força durante a campanha, que teve embates como quando a Justiça Eleitoral mandou retirar um vídeo de IA sem rótulo e deu 24 horas à Meta e ao X. O ECA Digital, de proteção a crianças, está em vigor desde março, enquanto um projeto de lei sobre plataformas digitais ainda aguarda andamento na Câmara dos Deputados.
Daqui para a frente, vale acompanhar se o novo mandato trará recursos ou prazos para um modelo brasileiro, como as salvaguardas para data centers entrarão nas normas e se a regulação das plataformas voltará ao Congresso no início de 2027.