Negócios

TIM Brasil se une à Oracle e à V8.Tech para vender nuvem e IA a empresas

· 6 min de leitura · Negócios

TIM Brasil se une à Oracle e à V8.Tech para vender nuvem e IA a empresas

A TIM Brasil lança nesta semana uma plataforma de serviços digitais para clientes corporativos desenvolvida com a Oracle e a V8.Tech, empresa de serviços de TI que comprou em 2025, informou o Valor International em 21 de outubro. A oferta, centrada em computação em nuvem e inteligência artificial, é a mais nova tentativa da operadora de crescer fora do mercado de telefonia móvel para o consumidor, onde a concorrência segue acirrada.

Os números explicam a aposta. Nos 12 meses até junho, a receita de serviços B2B da TIM subiu 16,6% na comparação anual, para R$ 1,74 bilhão, mas ainda representava apenas 6,6% da receita total de serviços. Fabio Costa, vice-presidente de B2B da operadora, disse ao Valor que o crescimento das teles vem agora do lado corporativo e que não faz sentido competir de frente com os hiperescaladores, dos quais a própria TIM depende para a computação centralizada.

Em vez disso, a TIM pretende se apoiar em sua presença nacional. Segundo Costa, a empresa foca em computação de borda e em data centers menores, mais próximos dos usuários, onde pode rodar um modelo de linguagem pequeno ajustado a um único cliente, como uma empresa do agronegócio. Rodrigo Xavier, fundador e co-CEO da V8.Tech, afirmou que a oferta TIM Cloud AI pode ser adaptada a empresas de qualquer porte, e Diuliana França, diretora-executiva de portfólio da V8.Tech, disse que os preços ficam fixos em reais durante todo o contrato, seja qual for o lugar onde o cliente decida armazenar seus dados.

O que muda na prática

TIM Brasil se une à Oracle e à V8.Tech para vender nuvem e IA a empresas — foto ilustrativa

As operadoras brasileiras convergem para a mesma receita. A Claro fechou em fevereiro um acordo de dados e IA com a Nvidia, e a Vivo revende serviços de Microsoft, Google e Amazon enquanto seu braço de investimentos segue apostando em IA local, como na participação da Vivo Ventures na Inner AI. Os hiperescaladores também se expandem diretamente, como mostrou a expansão do Google Cloud no Brasil com o Gemini Enterprise. A oferta a pequenas e médias empresas importa porque, como mostrou o estudo MIT SMR–TOTVS, muitas empresas usam IA sem colocá-la no centro do negócio.

Para Bernardo Guttmann, analista da XP, essas parcerias permitem às operadoras vender nuvem, cibersegurança, IA e gestão de TI pelos canais de venda que já possuem, sem grande gasto de capital. Ele ressalva, porém, que elas não significam necessariamente margens maiores: muito depende do modelo comercial e de quanto da receita a operadora consegue reter.

Fique de olho: se a fatia do B2B na receita de serviços da TIM sobe de forma relevante acima de 6,6%, quantos sites de borda passam a rodar modelos pequenos sob medida para clientes e se os preços fixos em reais conseguem atrair clientes de contratos de nuvem atrelados ao dólar.

← Voltar ao AI4Brazil