Estudo MIT SMR–TOTVS: 80% das empresas brasileiras usam IA, só 7% no centro do negócio
Oitenta por cento das organizações brasileiras já testam ou usam inteligência artificial de alguma forma, mas só 7% levaram a tecnologia ao centro do negócio, informou a Forbes Brasil em 15 de outubro, citando estudo da MIT Sloan Management Review Brasil encomendado pela TOTVS junto a 583 profissionais. O restante deixa a IA em pilotos, experimentos setoriais ou implantações parciais que não tocam processos críticos.
Em 40% das companhias as iniciativas andam sem coordenação entre departamentos. Oitenta e seis por cento não medem quanto gastam com IA, e 88% não sabem qual retorno financeiro obtêm. A maturidade média ficou em 6,69 numa escala de 0 a 10, com a integração tecnológica como elo mais fraco: só 46% dizem que as ferramentas de IA acessam automaticamente os dados da empresa, e apenas 8% integram a IA de forma ampla aos ERPs — camada que a TOTVS aponta como decisiva.
Pessoas e regras também atrasam. Quarenta e três por cento dos profissionais temem errar por confiar demais na IA e 37% dizem não saber usar as ferramentas, mas só 7% das empresas oferecem capacitação estruturada para todos. Governança formal de IA em toda a organização existe em apenas 14% das empresas, enquanto 46% citam vazamento ou uso indevido de dados como principal risco.
O que muda na prática
Conselhos que buscam maturidade vão esbarrar em modelos do setor público como a política estadual de IA do Rio com comitê de ética e fórum público e regras educacionais como a homologação pelo MEC das regras do CNE para apoio docente à correção de redações. Sandboxes de privacidade como o relatório do sandbox da ANPD sobre testes de IA e proteção de dados mostram que reguladores já esperam implantações medidas e governadas, não pilotos na sombra.
CEOs devem exigir casos de uso ligados ao ERP, com painéis de custo e ROI, antes de aprovar mais um chatbot. Fornecedores que só vendem copilots isolados terão dificuldade diante de integradores que conectam IA a faturamento, estoque e compliance.
O que observar: se TOTVS e pares publicarem casos dos 7%, se a orientação da ANPD endurecer exigências de governança para empresas privadas, e se os orçamentos de 2027 saírem de licenças de ferramentas para projetos de integração de dados.