Meio ambiente

INPE recebe R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para alertas de desmatamento com IA

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INPE recebe R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para alertas de desmatamento com IA

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelos números oficiais de desmatamento do Brasil, vai usar inteligência artificial para acelerar a detecção da perda de vegetação nativa e apontar com antecedência as áreas mais ameaçadas por derrubada, degradação e fogo, informou o g1 em 16 de outubro. O projeto, chamado SIM-Biomas, receberá R$ 147,6 milhões em apoio não reembolsável do Fundo Amazônia. O anúncio saiu no mesmo dia em que o governo federal divulgou dados do desmatamento na Amazônia com o menor índice desde 1988.

Hoje, a taxa anual e os alertas quase diários vêm de sistemas separados: o Prodes, mais preciso, e o Deter, mais rápido. O SIM-Biomas quer uni-los, com modelos de aprendizado de máquina treinados em milhares de exemplos já classificados por pesquisadores para automatizar a análise das imagens e a geração de alertas, de modo que o Prodes possa produzir dados mais de uma vez por ano. Os alertas do Deter, hoje restritos à Amazônia, ao Cerrado e ao Pantanal, serão ampliados para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa.

O mapeamento de áreas queimadas fora do Cerrado ainda trabalha com quadrados de 1 quilômetro de lado; o projeto levará a resolução de 30 metros a todos os biomas. Um subsistema de inteligência territorial vai cruzar dados de vegetação com informações fundiárias, socioeconômicas e climáticas para gerar indicadores de risco de curto prazo por bacia hidrográfica ou terra indígena, e a nova plataforma TerraBrasilis++ reunirá mapas, alertas e cenários. Segundo o diretor do INPE, Antônio Miguel Vieira Monteiro, os softwares e métodos serão abertos para que outras instituições possam replicá-los e verificá-los.

O que muda na prática

INPE recebe R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para alertas de desmatamento com IA — foto ilustrativa

O dinheiro não entra no orçamento regular do INPE, que caiu para R$ 79 milhões em 2021 e foi de R$ 102 milhões em 2025. O Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente, é financiado por doadores como Noruega, Alemanha e Japão. A computação científica federal avança em paralelo, do plano bilionário do LNCC para um supercomputador em Macaíba à licitação adiada do supercomputador nacional de IA, enquanto o TITAN-LSTM da USP, que rastreia tempestades com 30 minutos de antecedência, mostra equipes brasileiras já aplicando aprendizado de máquina ao risco climático.

Para os órgãos de fiscalização, mapas mais rápidos e detalhados só fazem diferença se as equipes de campo puderem agir com base neles; o g1 lembra que transformar um alerta em ação continua dependendo de quem fiscaliza no terreno. Os sobrevoos previstos para coletar amostras de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono sobre a Amazônia também devem dar mais precisão aos inventários de emissões que o Brasil apresenta no Acordo de Paris.

O que observar: a primeira divulgação do Prodes dentro do mesmo ano, a estreia dos alertas do Deter nos três novos biomas e se órgãos ambientais estaduais vão adotar o código aberto.

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