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Governo adia para depois do segundo turno a licitação do supercomputador de IA de quase R$ 1 bilhão

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Governo adia para depois do segundo turno a licitação do supercomputador de IA de quase R$ 1 bilhão

A seleção do fornecedor do supercomputador de inteligência artificial previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) foi adiada desta quinta-feira, 8 de outubro, para 4 de novembro, informou a Convergência Digital, com base na página da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica (FACC). O adiamento de 27 dias leva a disputa de R$ 959 milhões para depois do segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, quando os eleitores escolhem entre um novo mandato de Lula e um governo de Flávio Bolsonaro.

Segundo os documentos, o adiamento decorre de mudanças relevantes no edital. Uma errata mantém 70% da nota para a avaliação técnica, mas reduz o peso do preço de 30% para 10% e cria uma parcela de 20% para a produção nacional, comprovada pelo Processo Produtivo Básico (PPB) de servidores de grande capacidade. A errata também ajusta os testes de desempenho, inclui a IA agêntica como critério e amplia o prazo para o vencedor disponibilizar capacidade computacional antes da instalação definitiva. O pagamento está previsto em três parcelas iguais de cerca de R$ 319,7 milhões.

A Seleção Pública nº 27/2026 é conduzida pela FACC em benefício do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), com recursos da Finep. Embora o LNCC tenha sede em Petrópolis, a máquina deverá ser instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. O vencedor terá de fornecer aceleradores de IA, armazenamento, redes, programas, instalação e cinco anos de suporte, além de contribuir para uma pilha nacional de software de IA. Consórcios estão vetados.

O que muda na prática

Governo adia para depois do segundo turno a licitação do supercomputador de IA de quase R$ 1 bilhão — foto ilustrativa

O edital dá grande peso à soberania. Ele prevê licenças perpétuas para programas essenciais, exportação de modelos em formatos abertos, controle de atualizações remotas, proibição de transmissão não autorizada de dados para servidores externos, operação sem conectividade externa e computação confidencial obrigatória. O fornecedor também deverá ter capacidade de formar pelo menos 1.000 especialistas brasileiros em três anos e oferecer 1.200 horas anuais de mentoria com pesquisadores seniores. Os equipamentos de TI têm limite de 3 megawatts, com no mínimo 50 petabytes de armazenamento compartilhado.

A máquina é a peça central do plano bilionário do LNCC para um supercomputador em Macaíba e daria a pesquisadores brasileiros mais espaço para treinar modelos como o modelo aberto em português Manacá-1B. A Convergência Digital observou que alguns pontos dos documentos ainda são inconsistentes, como a forma de converter a comprovação do PPB em nota e uma garantia de execução fixada em 10% em um documento e em 5% em outro.

O que acompanhar: se a data de 4 de novembro será mantida depois do segundo turno, se a FACC publicará um conjunto consolidado de regras e quantos concorrentes conseguirão cumprir a exigência de fornecedor único, sem consórcios.

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