Banco do Brasil adota autonomia gradual para agentes de IA e defende governança embarcada
O Banco do Brasil está ampliando o uso de inteligência artificial agêntica com autonomia concedida em etapas, supervisão humana e controles incorporados desde a concepção de cada solução, informou o TI Inside em 19 de outubro. Giuliane Paulista, executiva de IA & Dados do banco, disse no TI Inside Innovation Forum 2026 que o primeiro agente autônomo divulgado pelo banco ao mercado, no primeiro semestre de 2026, atingiu cerca de 90% de eficiência.
Com mais de 80 milhões de clientes, afirmou, qualquer implementação no Banco do Brasil ganha escala rapidamente, e por isso a autonomia gradual virou uma das diretrizes para desenvolver e usar agentes. O banco estendeu suas diretrizes de IA ética e responsável, criadas inicialmente para a IA generativa, às aplicações agênticas, e Giuliane disse que o BB foi o primeiro banco do mundo a divulgar esse conjunto, publicado em seu site de relações com investidores. A capacidade de decisão só deve crescer conforme os resultados dos testes, a segurança das interações e a confiabilidade da arquitetura, inclusive em estruturas multiagentes em que alguns agentes orquestram e outros verificam o sistema.
Para a executiva, a governança deixou de ser uma etapa de conformidade no fim do desenvolvimento. Segurança, monitoramento, indicadores e mecanismos de proteção precisam fazer parte da arquitetura, e desenvolvedores, donos de produto, proprietários dos dados e áreas de negócio dividem a responsabilidade. A responsabilidade pelas decisões, frisou, não pode ser transferida ao software: “A IA não tem CPF”, resumiu.
O que muda na prática
A abordagem contrasta com vitrines competitivas como a Batalha de Agentes do Itaú com o Google e dialoga com o hiato descrito em o estudo MIT SMR–TOTVS segundo o qual só 7% das empresas brasileiras colocam a IA no núcleo. Para um banco controlado pela União, avançar devagar, mas de forma visível, pode ser justamente o objetivo.
Giuliane também chamou atenção para o custo. Um agente de atendimento que resolve mais casos pode elevar o consumo de tokens, e ela disse que instituições financeiras norte-americanas avaliam arranjos híbridos e infraestrutura própria para tornar esse gasto previsível. Qualidade dos dados, contexto semântico e versões consistentes da mesma informação em ambientes híbridos e multinuvem são, na visão dela, tão importantes quanto os próprios modelos.
O que acompanhar: se o Banco do Brasil vai divulgar resultados mensuráveis dos próximos agentes, como reguladores como o Banco Central reagem a modelos de autonomia em fases e se outros bancos brasileiros adotam diretrizes públicas semelhantes.