Infraestrutura

Após o Redata, data centers de IA esbarram em gargalos de energia e de rede

· 6 min de leitura · Infraestrutura

Após o Redata, data centers de IA esbarram em gargalos de energia e de rede

Dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar a desoneração federal de cinco anos do Redata para equipamentos de data centers, vozes da infraestrutura brasileira disseram à Folha, em 17 de setembro de 2026, que a restrição decisiva deixou de estar nas aplicações e passou a ser a energia. O diretor da Nvidia para a América Latina, Marcio Aguiar, afirmou que energia, conectividade e refrigeração agora definem a escala dos projetos, já que os campi de IA elevam a carga mais rapidamente do que as salas de TI tradicionais.

Publicado na editoria Infraestrutura em 18 de setembro de 2026, este resumo do AI4Brazil trata a reação como notícia sobre rede elétrica e localização de projetos no Brasil, somada ao Redata, e não como mais uma explicação tributária. O presidente da EPE, Thiago Prado, citou mais de 56 gigawatts em pedidos de acesso de data centers — cerca de um quinto da capacidade instalada de geração do país —, alertando que muitos desses pedidos nunca chegarão a ser energizados. Linhas de transmissão costumam levar cerca de cinco anos; grandes campi podem ser construídos em uns três, o que cria um descompasso de sequência. Flávio Loução, da Deloitte, projetou forte alta da demanda de eletricidade de data centers, em linha com a tendência global, até 2027, com os servidores de IA como principal vetor, enquanto a Eletronet observou que 96% da capacidade de data centers do Brasil ainda está no Sudeste.

Por que isso importa: compradores brasileiros de IA querem megawatts locais, enquanto o Tesouro acompanha o custo fiscal do Redata. O alívio tributário pode melhorar a TIR dos projetos — mas só se as filas de conexão, os contratos de compra de energia renovável (PPAs) e as rotas de baixa latência se destravarem fora do eixo São Paulo–Rio.

O que muda na prática

Após o Redata, data centers de IA esbarram em gargalos de energia e de rede — foto ilustrativa

Operadores brasileiros e parceiros de hiperescala devem mapear a situação na fila da EPE antes de comemorar a economia do Redata; confirmar quem responde pelos reforços de transmissão e em que prazos; designar um responsável pelos estudos de localização no Nordeste ou no Centro-Oeste; rodar, em prazo definido, simulações que comparem obras de três anos com o risco de linhas de cinco anos; e preferir contratos que revelem os PPAs e a resiliência da fibra. Relacione o debate sobre gargalos à sanção do Redata por Lula e ao plano do supercomputador do LNCC em Macaíba.

Primeiro, as ressalvas. Pedidos de acesso não são carga contratada; declarações do setor não são portarias ministeriais; e o Redata ainda depende de regulamentação detalhada, inclusive sobre como comprovar o uso de energia de baixa emissão. Por isso, o AI4Brazil apresenta a narrativa do gargalo energético como contexto indicativo de infraestrutura até que saiam as outorgas de conexão e o alívio estadual via Confaz.

O que acompanhar a seguir: propostas de transmissão da EPE ligadas a projetos críveis; as primeiras habilitações ao Redata fora do Sudeste; e como o caminho anterior do Redata no Senado vai se traduzir em campi energizados. Você pode continuar na página inicial do AI4Brazil ou navegar pelas Notícias em busca de outros resumos.

Em resumo: trate esta atualização como orientação, não como instrução. A política brasileira para data centers de IA agora esbarra na realidade da rede e ainda está no começo. As organizações que mais vão se beneficiar vão garantir a energia primeiro, manter auditores de olho nas promessas fiscais e se recusar a confundir uma cerimônia tributária com megawatts conectados.

← Voltar ao AI4Brazil