Segurança

PM prende oito em Mongaguá em central de golpes suspeita de usar IA para imitar apresentador de TV

· 6 min de leitura · Segurança

PM prende oito em Mongaguá em central de golpes suspeita de usar IA para imitar apresentador de TV

A Polícia Militar de São Paulo prendeu oito pessoas na sexta-feira, 16 de outubro, em uma casa em Mongaguá, no litoral sul do estado, que, segundo os policiais, funcionava como uma central de golpes baseada em inteligência artificial, informou o G1. Uma equipe da Força Tática foi ao endereço, no bairro Jardim Praia Grande, após uma denúncia e encontrou notebooks com telas abertas em plataformas aparentemente ligadas a golpes, além de celulares e chips de telefonia.

Segundo a PM, o grupo ligava para as vítimas dizendo que elas tinham ganhado um suposto sorteio ligado ao Cartão de Todos. Durante a ligação, as pessoas eram orientadas a compartilhar a tela do celular e induzidas a interagir com uma interface que usava IA para simular um conhecido apresentador de televisão. O objetivo, de acordo com a polícia, era obter dados sensíveis ou abrir caminho para outras fraudes. Os suspeitos disseram aos policiais que vieram de Suzano, na Grande São Paulo, para aplicar os golpes.

Algumas pessoas que estavam na casa tentaram fugir quando a polícia chegou; duas pularam o muro e subiram no telhado de um vizinho antes de serem detidas. A denúncia também mencionava dois homens procurados pela Justiça e possíveis armas. A consulta aos sistemas confirmou mandados de prisão em aberto contra os dois, mas nenhum deles estava no imóvel e nenhuma arma foi encontrada. A perícia foi acionada e o caso foi registrado no Distrito Policial Sede de Mongaguá. O G1 disse que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não havia respondido ao pedido de posicionamento até a publicação.

O que muda na prática

PM prende oito em Mongaguá em central de golpes suspeita de usar IA para imitar apresentador de TV — foto ilustrativa

O caso mostra como rostos e vozes sintéticos estão migrando da desinformação eleitoral para a fraude do dia a dia. Durante a campanha, o monitor VigIA, da Lupa, encontrou quase uma publicação eleitoral feita com IA por hora, e a Justiça Eleitoral pôs à prova suas regras contra synthfakes na véspera da eleição. Os golpes de falso sorteio usam o mesmo truque: emprestar um rosto de confiança para baixar a guarda das pessoas.

A etapa do compartilhamento de tela é a que o consumidor pode recusar com mais facilidade. Empresas sérias que fazem promoções não precisam ver a tela do cliente, e um pedido desse tipo durante uma ligação não solicitada é um forte sinal de alerta, por mais convincente que pareça o rosto ou a voz do outro lado. Bancos e marcas cujos nomes são usados nesses esquemas também ficam sob pressão para publicar orientações claras sobre como os verdadeiros ganhadores são contatados.

O que acompanhar: se a perícia vai identificar as ferramentas de IA usadas, quantas vítimas vão aparecer e se os investigadores vão ligar o grupo de Mongaguá a esquemas parecidos de falso sorteio em outras partes do estado.

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