IPT lidera o MaterI.A., centro de R$ 20 milhões que usa IA para acelerar materiais avançados
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, lidera a criação do MaterI.A., centro que usa inteligência artificial para acelerar a descoberta, o desenvolvimento e a validação de materiais avançados e processos industriais, anunciou o instituto em 21 de outubro. O investimento total é de cerca de R$ 20 milhões, dos quais mais de R$ 14 milhões vêm da Finep, a agência federal de financiamento à inovação.
O centro, apoiado pela fundação do IPT, a FIPT, reúne parceiros científicos como a Poli-USP, o Instituto de Química de São Carlos, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a Unesp, a Unifesp, a UFABC, o Ital, o CNPEM e o Senai. No lado empresarial, a rede conta com o apoio de companhias como Vale, WEG, CBMM, Renner Herrmann, Marcopolo e Tupy, entre outras.
Segundo André Nunis, pesquisador do IPT, a pesquisa convencional de materiais é lenta e cara, com ciclos que podem levar décadas. O MaterI.A. quer encurtá-los combinando aprendizado de máquina orientado pela física, previsão de propriedades físicas, gêmeos digitais e aprendizado por reforço com experimentos em laboratório. O trabalho se organiza em quatro linhas de pesquisa: descoberta digital de materiais, testbed inteligente, aplicações estendidas para novos usos e processos inteligentes que otimizam a produção e reduzem o consumo de insumos. O centro terá um cluster computacional dedicado à IA e laboratórios multiusuários.
O que muda na prática
O instituto prevê que cerca de 80% da operação do centro atenda a demandas da indústria, ampliando o trabalho que o IPT já faz por meio de sua unidade Embrapii de materiais. Entre os setores-alvo estão mobilidade elétrica, energia, saúde, alimentação e indústria de alto desempenho. Nunis citou estimativas de que o mercado global de materiais avançados movimentou US$ 513,1 bilhões em 2023 e pode chegar a US$ 695,5 bilhões até 2028, e disse que a meta é fazer do IPT, com mais de 127 anos de pesquisa aplicada e mais de 25 anos em materiais avançados, uma referência mundial em materiais assistidos por IA.
O projeto se soma a um esforço mais amplo para criar capacidade de IA na ciência brasileira, do supercomputador de IA planejado pelo LNCC em Macaíba ao modelo TITAN-LSTM da USP para monitorar tempestades. A Finep também está por trás do fundo de IA do BNDES e da Finep gerido pela Monashees.
O que acompanhar: quais parceiros industriais trarão os primeiros projetos, a rapidez com que o cluster computacional e os laboratórios entrarão em operação e se o centro conseguirá mostrar reduções mensuráveis no tempo de desenvolvimento, e não apenas promessas.